Diz-se que quando uma empresa faz 13 anos numa quinta-feira 13, algo se levanta. Uns falam em azar, outros em presságios. Há quem mude de estrada, quem evite dizer o número em voz alta, quem bata três vezes na madeira antes de continuar a ler. Mas no Gato de Bigode, não se muda de caminho. Nunca mudámos. Nem quando tudo parecia escuro, nem quando os briefings chegavam às onze da noite, nem quando o cliente dizia “falta só uma coisinha” e essa coisinha era uma nova identidade visual. Treze anos de terror criativo não nos assustam. Pelo contrário: são a nossa zona de conforto.
Somos criaturas da noite, não por romantismo, mas por hábito. Há anos que ouvimos ruídos estranhos vindos do Photoshop. Há quem jure que viu o Illustrator travar de propósito. E há quem diga que, se ouvires com atenção, consegues distinguir, entre as sombras da agência, os sussurros de um logótipo rejeitado a pedir vingança. É verdade. Esta casa está assombrada — mas não pelo medo. Pelo trabalho.
Nestes 13 anos, enfrentámos todas as forças sobrenaturais do universo criativo. Briefings amaldiçoados que mudam sozinhos. Prazos demoníacos que aparecem do nada. Feedbacks que se repetem em looping como num feitiço mal lançado. E mesmo assim, sobrevivemos. Porque, ao contrário dos filmes, aqui os protagonistas não morrem — evoluem. Adaptam-se. Ficam mais fortes. E riem-se do perigo. Ou pelo menos, desenham-no bem.
Somos uma equipa forjada no limiar do pesadelo e da perfeição. O Diogo não diz que não. Nunca disse. Mesmo que chova sangue ou caiam trovoadas de ficheiros .ai. O Ricardo parte a loiça e enfrenta o impossível com o mesmo olhar de quem já viu tudo — e mesmo assim, ainda se emociona com um bom kerning. A Vera escreve copys que fazem levitar marcas, mesmo quando está debaixo de um escadote. O Miguel já nem sente os pés a serem varridos, está demasiado ocupado a pôr a web a funcionar como se fosse magia branca. A Catarina fotografa com olhos de caçadora de almas, encontra luz onde há trevas e foco onde há caos. E a Sara? Dizem que os talheres cruzados são má sorte. Ela cruza frases e ideias como quem lança encantamentos — e transforma tudo em copy com dentes.
Neste Gato de Bigode, não há lugar para o medo. Aqui, o medo é briefing. E o briefing é ponto de partida. O cliente entra. A superstição sai. Porque durante treze anos não parámos. Não hesitámos. Não recuámos. E agora, com o número maldito à porta e a quinta-feira 13 a tocar à campainha, abrimos a porta sem pestanejar. Sabemos quem somos. Sabemos o que fazemos. Sabemos o que vale a pena temer. E não é isto.
O que nos assusta é outra coisa: ideias pela metade. Trabalho sem alma. Marcas sem coragem. O que nos arrepia é ver uma boa história mal contada, um logo desalinhado, uma oportunidade perdida por falta de visão. O que nos tira o sono não são fantasmas — são más decisões criativas. E para isso, não há benzedeira que resolva. Há trabalho. Compromisso. E um certo pacto que fizemos com o cliente: nunca lhe falhar. Mesmo que o mundo acabe, mesmo que a luz vá abaixo, mesmo que o Photoshop crash duas vezes seguidas — nunca vamos deixar de fazer o melhor trabalho possível.
Treze anos. Quinta-feira 13. Uma data carregada de simbolismo. Mas para nós, não é o fim. É só o próximo capítulo. E o enredo está cada vez mais interessante. Porque ainda há tantas marcas por lançar, tantas ideias por escrever, tantas imagens por captar, tantos sites por construir. E enquanto houver um canto escuro na criatividade, nós vamos estar lá. A olhar bem dentro dele. A puxar de um lápis. E a criar. Sem medo.






